Sergio Esteve Aqui #22 - Osteria Del Petirrosso - São Paulo

Data da Visita: 09/07/2019

Horário: Almoço

Local/Unidade: Alameda Lorena 2155

AMBIENTE - 3,5/5

O ambiente tem decoração bem simples, mas não tem nada que me desagradou. As paredes são predominantemente brancas, sem exageros, com detalhes em madeira e algumas janelas expostas como mantidas da construção original. Ao fundo há uma parede colorida, que contrasta com o restante do ambiente, mas sem carrega-lo.

Sobre cada mesa há um ponto de iluminação e o espaçamento é bem adequado, com boa distância entre as mesas e espaço para circulação.

Também gostei das cadeiras e arrumação das mesas, dá um ar aconchegante para o espaço.

As mesas tem bom tamanho e altura, mas são mesas de 4 pernas, que ficam um pouco deslocadas na direção do centro da mesa, tornando extremamente apertado o espaço para as pernas. No geral foi uma da mesas mais desconfortáveis que já encontrei, praticamente não podia mexer as pernas durante a refeição.

Ao lado de todas as mesas havia um banco para bolsas, achei interessante a ideia, mas como é muito baixo e escondido pela toalha volumosa fica completamente fora da visão dos que estão sentados à mesa, então gostei da ideia, mas desgostei da execução, fora que os banquinhos são muito feios, com acabamento que remete à balcões de bares antigos.

SERVIÇO - 2/5

Durante todo o almoço não tivemos nenhum erros nos pratos e o serviço foi sempre muito cordial, desde a recepção.

Houve, contudo, alguns problemas. Começando pelo garfo com comida grudada da refeição anterior. Lembrando que o restaurante é de um padrão de custo acima da média, esse tipo de erro se torna inaceitável para um restaurante desse padrão, ninguém confere os talheres quando coloca na mesa?

Eu não crucifico um restaurante por um talher sujo, mas o que aconteceu na sequência foi pior. O garçom levou o talher e, no caminho, passou por outro garçom, então começou a fazer brincadeiras, em tom bem alto, de que o seu companheiro não sabia lavar louça. Infelizmente esse erro não é para fazer brincadeira e, sim, para ser tratado com seriedade pelo estabelecimento.

Outro ponto que poderia ser aprimorado com mais treinamento é que não me agrada muito garçons servirem pratos cruzando a mesa, e isso aconteceu algumas vezes em mesas próximas.

Quanto ao tempo de espera, pedimos uma sequência de 4 pratos e não há programação nenhuma na cozinha, parece que todos os pratos são preparados do zero quando terminamos o anterior. O resultado foi que o tempo de espera foi um dos maiores, senão o maior, até hoje. Notem que esse tempo todo de espera foi mesmo quando só havia nossa mesa ocupada e mais uma segunda mesa que já estava terminando a refeição quando chegamos.

Até a conta demorou mais que a média para chegar.

Para não terminar com críticas, teve um ponto bastante positivo no serviço que foi a troca dos talheres entre os dois pratos principais.

COMIDA - 3/5

Comecei a refeição com la cipolla, creme de cebola dentro da própria cebola, e o supplí, bolinho de risotto recheado com burrata.

A cipolla era boa, mas é um creme de cebola apenas, não chega a ser uma sopa de cebola caramelizada, como é típico da frança, mas parecia um purê líquido de cebola. Serviram também o pão caseiro da casa, muito gostoso e crocante, que complementou bem a cipolla. Eu ainda tirei uma camada externa de cebola que servia de cumbuca e comi, estava levemente adocicada e perfeitamente assada, arrisco dizer que gostei mais da "cumbuca" do que do recheio. No fim deixei só a casca no prato.

Já sobre os bolinhos de risotto, estavam perfeitamente mal fritos, moles e encharcados de óleo. O sabor era até bom, mas sinceramente foi um dos bolinhos mais horripilantes que já vi, inclusive filmei para que vocês vejam o quanto estavam moles, encharcados de óleo e com aspecto todo estourado e feio. Acho que nunca disse isso até hoje, mas esse bolinho nunca deveria ter saído da cozinha, um chef deveria ter vergonha de mandar isso para a mesa.

Para o prato principal pedimos um mini menu degustação com primeiro e segundo prato.

O primeiro foi um carbonara, que estava ótimo, arrisco dizer que um dos melhores carbonaras que já comi, pena que era muito pequeno o prato, conforme mostrado nas fotos, deu vontade de comer mais.

A gema estava em um bom ponto de cocção, o bacon era de boa qualidade e bem saboroso e, o principal para mim, a massa estava no ponto perfeito.

O segundo prato foi a rabada com polenta, mas para minha surpresa não veio a rabada cozida, como na descrição, e sim um tipo de croquete de rabada. A rabada em si estava ótima, desmanchando, mas a massa do croquete era uma espécie de kibe vegano, não gostei nem desgostei, mas vou considerar negativo porque não condiz com a descrição, a pessoa que lê o cardápio não está esperando um bolinho frito de rabada. Eu particularmente teria preferido o prato como no cardápio, para que fritar algo que já tem gordura suficiente? Fora que parece que o restaurante não ajusta bem a temperatura do óleo, novamente foi uma fritura mole e mais oleosa do que o necessário.

Sobre o molho, veio um molho de tomate, e não o próprio molho da rabada como consta no cardápio, então sinceramente não sei se quem estava errado era o cardápio ou o chef, mas claramente um dos dois tem que mudar.

Gostei da polenta servida na panela separada e também do sabor. No geral o prato estava muito gostoso, ainda que nada a ver com o cardápio, mas destaco o molho e o ponto da rabada como mais fortes do prato. O molho estava tão bom que eu comeria puro de colherada ou com pão.

Nas fotos abaixo lhes apresento a "rabada desossada e cozida no vinho tinto, seu molho e polenta".

Faço elogios à escolha das louças, achei que todas combinaram com os pratos.

Para encerrar a refeição pedi um sformatino, que é uma torta de polenta doce com ricota fresca.

Vou ser bem direto, pior sobremesa que já comi.

A torta de polenta é uma polenta consistente, sem sal, embebida em uma calda mais doce que doce de batata doce. Sério, eu já comi gulab jamun (google) e essa calda ganhou em doçura. O que aconteceu foi que a sobremesa ficou com um sabor muito forte de açúcar, e só.

Para equilibrar veio um quenelle de ricota, que até ajuda a cortar um pouco o doce, mas eu não sou muito fã de ricota fresca.

Eu gosto de provar o que o restaurante serve de diferente e vi muito potencial nessa sobremesa, mas dessa vez eu me dei mal. Para ter ideia dividimos a sobremesa em 2 e praticamente não conseguimos terminar de tão doce.

Deu pra ver que a refeição, como um todo, foi uma montanha russa, com pontos altíssimos, mas também coisas terríveis, colocando o restaurante na média.

CARDÁPIO - 4/5

De forma geral gostei do cardápio, tem muitos pratos que me interessaram e fiquei com vontade de provar.

Contudo, senti falta de algumas opções e tenho a sensação de que algumas pessoas teriam dificuldades para escolher um prato, com risco de não gostar de nenhum.

Um ponto forte do cardápio, que me agrada bastante, é a elaboração dos acompanhamentos dos pratos. Destaco também a disponibilidade de pratos não convencionais, como língua, dobradinha e rabada, gosto muito de ver isso em cardápios. Filé mignon além de sem graça praticamente só exige um mínimo de prática para acertar o ponto, eu quero é ver uma língua bem feita.

Há boas opções de entradas e sobremesas.

PREÇO - 3,5/5

As entradas são um pouco salgadas, mesmo o bolinho que pedimos, R$ 29 para 3 bolinhos de arroz bem pequenos é muito caro, poderiam mandar 5 ou 6 por esse preço, como fazem outros restaurantes.

Quanto aos pratos, as massas, pelo tamanho dos pratos, também estão acima da média, mas, nesse caso, como a qualidade era muito boa, eu diria que vale o preço.

Ainda sobre as massas, há um fettuccine imperiali que custa R$ 154 e serve 2 pessoas, sendo que o charme é a finalização na mesa. Pois bem, uma mesa ao lado pediu: Uma pessoa chegou com uma porcelana cheia de massa com queijo por cima, colocou em um aparador ao lado da mesa e simplesmente misturou o macarrão na frente das pessoas, essa é a finalização. Quem estava a postos para filmar teve uma bela decepção.

Os preços estão muito acima da média para pratos de massa, só vale a pena se a qualidade for muito acima da média também. Há bons pratos de massa por aí a partir de R$ 49, e arrisco dizer que até pratos maiores.

As carnes também estão com preço acima da média, a rabada não é suficientemente cara para justificar que um prato dela com polenta custe R$ 82.

As sobremesas são os itens proporcionalmente mais díspares da média e achei bem caras.

Por fim, sobre o menu degustação, acho legal oferecer, inclusive pegamos um desses menus. Podíamos escolher apenas entre 2 opções de primeiro e segundo pratos e o menu somente é servido em pares. Por que? Palavras do próprio garçom: O chef faz dois pratos e divide cada um pelas duas pessoas, ou seja, cada pessoa recebe meio prato de cada.

Tudo bem, acho legal o restaurante fazer isso, mas só para sujar uma louça a mais dois pratos que custavam R$ 75 e R$ 82 viraram R$ 95 e R$ 95, uma diferença muito grande de preço que a meu ver é abusiva, seria muito mais gentil da parte do restaurante oferecer a mesma quantidade de comida pelo mesmo preço ou apenas uma quantia simbólica a mais. Vale lembrar que já são pratos mais caros que outros bons restaurantes em um raio de 2 quadras da Osteria Del Pettirosso.

Como sempre utilizo algum desconto, nesse caso foi o Dois por Um. Observem o preço muito acima da média com relação às contas apresentadas nas outras avaliações.

AVALIAÇÃO FINAL - 3,2/5

Sergio Esteve Aqui

#avaliação #italiana #sãopaulo

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